Economia circular tem potencial para redefinir indústria no Brasil e no mundo
Práticas sustentáveis e uso eficiente de recursos vêm ganhando cada vez mais espaço nos setores produtivos
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Se por um lado, o ciclo de vida útil dos plásticos é curto quando se pensa em consumo, por outro, sua decomposição no meio ambiente é extremamente longa, podendo variar de 20 a 500 anos. Por isso, o conceito de encerramento da vida útil de um produto vem sendo substituído pela ideia de "ciclo contínuo ou economia circular", nas maiores cadeias produtivas do Brasil e do mundo.
Segundo informações trazidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP), 85% da indústria brasileira já faz uso de práticas diárias relacionadas à economia circular.
O que era tratado apenas como gestão de resíduos, hoje está se tornando o centro das estratégias de inovação de grandes corporações, é o que afirma Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo, empresa que produz embalagens recicladas de defensivos agrícolas. “A transição da economia linear para a circular não é somente mais uma meta de sustentabilidade, mas sim, um imperativo econômico que garante a preservação de recursos naturais e a transformação de materiais, como o plástico”.
A reciclagem, cada vez mais comum, é atualmente adotada em três a cada dez empresas instaladas em território nacional. “Com a economia circular, promovemos redução da extração de recursos naturais e no final da vida útil dos produtos, a reciclagem de matérias-primas”, explica.
Ainda segundo Okamura, a ideia de dar vida nova a um objeto que iria para o lixo é essencial para a sustentabilidade do planeta. “Por que simplesmente descartar algo se podemos utilizar esse item como matéria-prima para a produção de um novo produto?”, questiona.
Segundo o estudo Plastic pollution: Pathways to net zero, do banco Credit Suisse, todos os anos, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas ao redor do planeta.
Economia circular na prática
Pioneira mundial, a Campo Limpo é a única do Brasil que produz embalagens recicladas para defensivos agrícolas. A empresa tem hoje capacidade produtiva de até 18 milhões de unidades por ano, já tendo produzido desde sua fundação, em 2008, mais de 100 milhões de embalagens recicladas.
No mercado de bens de consumo, empresas como Natura e Unilever têm liderado o movimento por meio do uso massivo de refis e da incorporação de plástico reciclado pós-consumo (PCR) em suas embalagens. O objetivo é claro: reduzir a dependência de polímeros virgens e criar um fluxo onde o material retorne à gôndola de forma praticamente infinita.
No setor de tecnologia e eletrônicos, marcas como Apple e Dell avançam com o "urban mining" (mineração urbana), recuperando metais preciosos e componentes de aparelhos antigos para a fabricação de novos modelos. Já no setor de vestuário, a Adidas investe em calçados feitos inteiramente de plásticos retirados dos oceanos e desenhados para serem triturados e transformados em novos pares ao final do uso.
Essas iniciativas mostram que a circularidade vem ganhando cada vez mais espaço no dia a dia das grandes corporações.
Campo Limpo Plásticos
Fundada em 2008, Campo Limpo Reciclagem e Transformação de Plásticos S.A. atua como um centro de desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para reciclagem e produz embalagens plásticas para envase de defensivos agrícolas a partir da resina reciclada pós-consumo agrícola.
O trabalho é executado a partir da reciclagem das embalagens vazias devolvidas pelos agricultores após tríplice lavagem ao Sistema Campo Limpo. Assim, encerra-se o ciclo da economia circular dessas embalagens dentro do próprio setor.
Idealizada pelo inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), que é responsável pela gestão do programa de logística reversa, o Sistema Campo Limpo representa as indústrias fabricantes de defensivos agrícolas na destinação das embalagens utilizadas nas culturas de todo o país.
A companhia conta com um complexo industrial que abriga duas subsidiárias localizadas na cidade de Taubaté (SP) e uma filial em Ribeirão Preto (SP), inaugurada em 2018.
Informações: Assessoria de Imprensa



